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Sexo e cachorros

Martha Medeiros

A gente le muitas barbaridades nos jornais, mas de vez em quando surgem umas notícias divertidas, como essa sobre o Vondelpark, o mais famoso parque de Amsterdã. É boato, mas foi anunciado como verdade: uma lei teria proibido que cachorros frequentassem o parque sem a guia, mas por outro lado autorizaria que casais heteros ou gays fizessem sexo em seus recantos, desde que o bem-bom se desse à noite, longe das criancinhas.

É verdade a proibição de cachorros soltos, mas quanto ao sexo liberado, foi apenas uma proposta de um vereador do Partido Verde, e ainda nem entrou em discussão. Duvido que seja aprovada, mas suponhamos que seja. Como turista, nada disso me importa. Não tenho cachorro nem aqui nem em Amsterdã, e prefiro um bom hotel a me aventurar entre árvores, arbustos e gramados, até porque sou alérgica a micuim. Se você não sabe o que é micuim, não teve infância. Mas e se eu fosse natural de Amsterdã e tivesse um labrador e um namorado, como é que eu reagiria diante dessas bombásticas decisões municipais? Primeiramente, vamos à questão do amor, que é a mais importante. Tem gente que tem fissura em transar em locais públicos. Não condeno, tem lá sua dose de excitação, ainda que confortável não seja. Se a prefeitura não se opõe, pode ser uma alternativa bem econômica. Mas havendo permissão, qual seria a graça?

Eu já estive no Vondelpark (só pra andar de bicicleta!) e lembro que havia uns recantos privados e convidativos, bem diferente da praça da Encol, por exemplo, onde você espirra e todos os caminhantes de desejam saúde em uníssono, inclusive os moradores dos prédios em volta. O Vondelpark não tem prédios em volta. Mas deve ter micuim. Agora vamos aos cães, essas criaturas que a cada dia ganham mais importância. Pô, não sendo um pitbulls ou rottweiler ou qualquer outra raça atiçada, por que não liberá-lo para correr e brincar, estando o dono por perto? Se o sexo no parque deixar de ser atentado ao pudor, exigindo-se apenas que o casal leve seu “lixo” embora (preservativos e garrafas de vinho, imagino), o dono do cachorro também pode se responsabilizar pelo “lixo” do totó e ficar tudo numa boa.

Na Holanda existe até cerveja pra cachorro! Sério, é a Kwisperlbier. Foi criada por uma dona de pet shop que queria que sua cadelinha tivesse seu próprio drinque para acompanha-la no happy hour. Juro por Deus. Se seres humanos liberam seus cães para uma cervejinha no final do dia, como exigir que eles os prendam para passear no parque? Eu liberaria tudo: caninos de dia, felinos à noite. E brindaria essa gostosa bandalheira com uma Kwisperlbier estupidamente gelada.


Domingo, 23 de março de 2008.



Desenvolvido por Carlos Daniel de Lima Soares.